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Empresa mineira com apenas 11 anos de idade funciona como verdadeiro divisor de águas para a administração de diversos processos de trabalho de federações e confederações esportivas importantes do esporte olímpico nacional

Zac Zappellini e Daniel Alves de Carvalho (da esquerda para direita) (Divulgação)
Zac Zappellini e Daniel Alves de Carvalho (da esquerda para direita) (Divulgação)

Da Redação, São Paulo (SP) – Até hoje se discute o valor do legado proporcionado pelos Jogos Olímpicos de 2016: linha 4 do metrô carioca, corredores de ônibus, VLT, mudanças radicais na paisagem do Centro do Rio e na Zona Portuária.  É bem verdade que o Brasil deu um belo salto no quadro de medalhas, embora não tenha cumprido a meta do COB, que era se posicionar entre os dez melhores, somando-se todas as peças metálicas de diferentes cores. Segundo esse critério, o esforço olímpico nacional resultou na 12ª posição – ficamos bem pertinho do objetivo estabelecido. Em Londres, o Brasil havia concluído sua participação no 16º lugar.

O impacto resultante da contratação de treinadores estrangeiros, do investimento em estrutura para a prática de esportes e da ampliação da cultura olímpica ainda vai se fazer sentir nas edições futuras dos Jogos. No ambiente de negócios, algumas empresas cresceram para atender às demandas de um cenário esportivo que se transformou enormemente.

A Bigmidia, empresa de Tecnologia da Informação, com atuação no desenvolvimento de software, é um desses novos players. Criada em 2009, em Belo Horizonte, com o intuito de prestar serviços à Federação Aquática Mineira, a Bigmidia cresceu junto com o esporte olímpico brasileiro e hoje tem como clientes a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), CBG (Confederação Brasileira de Ginástica), CBCa (Confederação Brasileira de Canoagem), CBTKD (Confederação Brasileira de Taekwondo), CBHb (Confederação Brasileira de Handebol) e Saltos Brasil (Confederação Brasileira de Saltos Ornamentais), entre outros.

Com o passar dos anos, a Bigmidia desenvolveu uma série de programas que contemplam as necessidades das entidades que fazem o esporte olímpico brasileiro acontecer: gestão nacional de atletas, entidades e competições, súmulas digitais, atualização de resultados de competições em tempo real, ferramentas de gestão, gerenciamento de controles antidoping, cadastro de processos de Tribunais de Justiça Desportiva, manutenção de ranking de atletas, compilação de resultados personalizados.

Na Rio 2016, o know-how da Bigmidia chamou a atenção até mesmo da Omega, a gigante suíça responsável pela cronometragem olímpica, tanto no atletismo como na natação, desde os Jogos de 1932, disputados em Los Angeles.

Comentarista do Grupo Globo em três edições dos Jogos Olímpicos e em cinco Mundiais de piscina longa, Alexandre Pussieldi, o Coach, reconhece o trabalho da Bigmidia. “O Brasil sempre foi muito fraco em estatísticas. Com a chegada da Bigmidia, a CBDA passou a ter a possibilidade de trabalhar com inteligência de dados, o que é fundamental na natação hoje”, diz o especialista, que foi treinador da modalidade, com passagem pela seleção norte-americana, e é também jornalista formado. 

O medalhista olímpico Ricardo Prado (prata nos 400m medley em 84), diretor de desenvolvimento da CBDA, é outra importante testemunha da colaboração que a Bigmidia oferece à entidade que rege os esportes aquáticos no Brasil. “A Bigmidia torna possível que acompanhemos os tempos de nadadores de todas as categorias, facilitando a identificação de talentos, por exemplo. Além disso, entrega uma série de ferramentas que facilitam a administração do dia a dia da Confederação”.

Os fundadores da Bigmidia começaram a ganhar familiaridade com os processos de trabalho das entidades esportivas em 2004, quando Daniel Alves de Carvalho, então um jovem técnico em programação, passou a prestar serviços para a Federação Aquática de Minas. “Começamos a ver quais eram os problemas do esporte, as suas dores. Passamos a criar soluções

relativamente simples, mas de grande importância, como agilizar o processo de inscrição em competições e resolver a questão cadastral. Com o tempo, criamos o programa WebEsportes, que facilitou a inscrição online e a divulgação de resultados”.

Com a expertise adquirida em solo mineiro, a Bigmidia participou de uma concorrência em nível nacional para informatizar a CBDA, em 2009, e foi a empresa escolhida – nascia o CBDAWeb, que é a base da plataforma SGE Esportes Aquáticos, utilizada até hoje pela Confederação. Graças ao sistema, hoje todos os tempos de todos os nadadores em atividade no Brasil estão devidamente arquivados. Para se ter uma ideia, simplesmente o conjunto completo de marcas já registradas ao longo da carreira de Cesar Cielo consta do banco de dados.

Recentemente, a Bigmidia desenvolveu um novo módulo no Sistema de Gestão Esportiva (SGE) para poder coordenar as eleições dos representantes dos atletas junto à Confederação Brasileira de Handebol (CBHb), e arrancou elogios de dirigentes de federações estaduais e de atletas. A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos e a de Taekwondo também utilizam o módulo para realizar suas eleições.

Por falar em taekwondo, o trabalho com a CBTKD é um capítulo à parte na história da Bigmidia. “Quando uma confederação adquire o sistema, ele é compartilhado com as federações estaduais a ela filiadas, e chega até os clubes. Estabelecidas essas conexões, temos um ecossistema. A cúpula passa a saber quantos e quais são os praticantes da modalidade. E isso é determinante para que essas entidades possam cumprir seu papel, que é fomentar o esporte”, diz Daniel.

Para que o fomento possa ocorrer, é claro, recursos são necessários. A Federação Goiana de TKD é testemunha de que o sistema também faz bem para o balanço das entidades. “Antes de começarmos a trabalhar com o sistema da BigMidia, não tínhamos controle sobre o pagamento de taxas. Simplesmente não sabíamos quem estava em dia, quem era inadimplente. Era difícil até fecharmos uma contabilidade”, diz o grão-mestre José Ricardo Favorito, presidente da FGTKD.

Quem conhece o dia a dia das federações que trabalham com artes marciais sabe que uma fonte importante de receitas são os exames de faixas. Na FGTKD, esse trabalho está fluindo, e sem queixas dos atletas. “Agora o atleta se inscreve, o boleto é gerado, o exame é realizado e, em caso de aprovação, o certificado é emitido e remetido. Isso tudo sem papelada, sem burocracia”, afirma Favorito. 

O sistema de acompanhamento online de partidas de handebol é outro trunfo da empresa – chegou ao estado de arte, tornando possível que, com um computador ou celular ligado em qualquer parte do planeta, saiba-se o placar de uma partida da categoria cadete em tempo real, com informações sobre os autores dos gols e até os cartões distribuídos pelo árbitro.

 “Essa é a cereja do bolo do sistema, e se aplica a todas as Confederações que atendemos. Há algum tempo as comunidades esportivas sonhavam com a possibilidade de acompanhar o transcorrer das disputas em tempo real. Podemos dizer com orgulho que transformamos esse desejo numa realidade”, diz Daniel.

Zac Zappellini, um dos sócios da empresa, esclarece que a empresa chegou para resolver uma boa parte das dores de cabeça dos dirigentes, deixando-os livres para fomentarem o esporte nacional. “A Bigmidia aprendeu, na prática, a se transformar em um grande parceiro de federações e confederações esportivas. Aos dirigentes cabe agora apenas o papel de administrar as entidades, de tomar decisões. Somos capazes de providenciar toda a retaguarda para execução do trabalho burocrático. Indo mais além, os conceitos de Big Data e de Inteligência Artificial com os quais trabalhamos ajudam a deixar o esporte brasileiro em pé de igualdade com o que se utiliza de mais moderno nessa área pelas potências esportivas do planeta”.